quinta-feira, 19 de maio de 2011

“Uma revigorante surfada!”


Passou-se na tarde de ontem, mais precisamente, no final da tarde de ontém, talvez por volta das 19:00.

Eram cerca de 18:30 quando me encontrava em casa, tomado por sentimentos de algum vazio, tédio e amargura que ameaçavam tomar conta do meu íntimo. No entanto e, felizmente, possuo uma arma que por mais de uma década se tem revelado infalível no combate a tais estados negativos. E essa arma chama-se bodyboard ou, de uma forma mais extensiva, poderei dizer que se trata do contacto com o mar. É um contacto que me cura internamente, mais do que qualquer outra prática. É o abraço proveniente do manto azul da Mãe Natureza, capaz de curar qualquer ferida de natureza emocional.

Eram entre as 18:30 e as 19:00 quando estacionava o meu fiel Peugeot 106 no parque das gaivotas. Como sempre faço, decidi ir dar uma olhada no mar antes de equipar. Observei durante uns 10 minutos. Estava algum frio. Algumas ondas vinham mas nada de especial. Nessa altura pensei em retornar ao carro e realizar uma prática de meditação mas algo me fez mudar de ideias. Quando me aproximava da rede que delimita o parque de estacionamento, mais especificamente de um buraco nessa mesma rede, mudei de ideias. Sem mais indecisões, equipei-me, ou seja, vesti o fato, licra e colete de neoprene, com o cuidado de acomodar bem a chave do carro num bolsinho próprio que existe no interior do fato, peguei na prancha, nos pés de pato, nas meias de neoprene e no leash, fechei todas as portas e caminhei de forma lenta e tranquila rumo à praia.

Já na praia, realizei o meu aquecimento, através de corrida, alongamentos, entre outros procedimentos, enquanto observava o mar, que me parecia acessível e a melhorar de qualidade. Findo o aquecimento, entrei na água rumo ao pico, esquerda que parte mesmo no cabeço, ou seja, a partir do molhe. Pouco tempo depois, vejo que se encontrava um surfista dentro de água, que se encontrava um pouco mais do lado direito da praia e que me cumprimentou. Apesar de ter retribuído o cumprimento do indivíduo não me apercebi imediatamente de quem se tratava, uma vez que sofro de miopia. Apenas passado algum tempo percebi tratar-se do meu grande amigo Batata, facto que me encheu de alegria! Para mim, melhor do que surfar sozinho, só mesmo surfar com grandes amigos. Aqueles amigos da adolescência que partilharam connosco surfadas, conquistas amorosas, noites de curtição fantástica, as primeiras surftrips. São momentos fantásticos e que me remetem para esses longínquos tempos de vida totalmente livre e descomprometida.

A surfada em si foi fantástica! Ondas tubulares, embora muitas fechassem a meio, mas o que se surfava delas era maravilhoso. Entre o apanhar das ondas íamos conversando sobre a vida, sobre sonhos, sobre projectos, sobre o cumprimento de obrigações, sobre mulheres. O meu amigo viera de Moçambique fazia pouco tempo e com estimulantes histórias para contar acerca do clima quente, da água do mar a 27ºC, da magnífica e deslumbrante vista dos corais e diferentes espécies marinhas, bem como, do baixo custo de vida no que respeita a bens essenciais (um cacho com 10 bananas custa cerca de €0,05), o estilo de vida caótico e primitivo dos africanos, para além da existência de bons e bem pagos empregos, devido à necessidade do país de mão-de-obra qualificada, devido ao rápido desenvolvimento. Para além da possibilidade de acesso a um estilo de vida virgem e saudável!

Entretanto fomos fazendo as nossas ondas, suficientes para duas pessoas, suficientemente boas para serem desfrutadas, algumas maiores e mais cavadas, outras menores e não tão adrenérgicas, mas satisfatórias, no geral. Mesmo no final da tarde, perto das 21:00, fomos brindados com um magnífico pôr-do-sol, uma inefável esfera de coloração rosa-alaranjada, realizando o seu movimento descendente indicador de que, em breve, a luz disponível para surfar em segurança se esgotaria. Esta visão, acrescida ainda da boa temperatura da água (que se encontrava a cerca de 19ºC), veio a aumentar ainda mais o sentimento de gratidão no meu coração. Eram cerca de 21:15 quando, ambos, abandonámos a água rumo ao parque de estacionamento, combinando uma surfada no dia seguinte de manhã e que acabei por não cumprir devido a incapacidade de vencer a preguicite matinal. Mas não importa: fica para o final da tarde, altura do dia em que me encontro mais sóbrio, desperto e disponível para a maravilhosa mas, simultaneamente, exigente prática do Bodyboard.

Despeço-me com um forte, longo e caloroso abraço para ti. Fica bem e até breve!

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