Olá meu caro leitor ou leitora, espero que esteja tudo fixe por aí!
O motivo que me traz aqui hoje, tal como sempre neste blog dedicado às surfadas, é falar sobre a última surfada que, diga-se, não foi grande coisa.
Eram 11:00 quando estacionava o meu carro no parque das gaivotas. Saí do carro e fui ver The Edge, já na suspeita de que estivesse hardcore. Na minha caminhada ao longo do molhe, na tentativa de encontrar uma rocha adequada para poder fazer a minha observação do mar, encontrei o grande bodyboarder figueirense Fábio “Marreta”, que, além de ter constatado que não me via há imenso tempo, me alertou para a eventualidade de o vento aumentar sendo por isso aconselhável que entrasse o mais rapidamente possível para poder aproveitar ondas de qualidade enquanto pudesse. Assenti, despedi-me e continuei o meu caminho até encontrar um tetrápode adequado onde me encostar e ficar a ver.
Abancado, fiquei a ver o mar, bem como o desempenho dos praticantes que se encontravam dentro de água. A maioria das ondas fechavam e eram bem cavadas e grandes. Os bodyboarders que, após apanharem a sua onda, retornavam ao pico, eram invariavelmente confrontados com uma forte porrada produzida pelas espumas provenientes do ribombar das fortes e violentas ondas que partiam. Muitos praticantes que apanhavam as suas ondas mandavam grandes baldos e levavam fortes caldos. Confesso que senti um misto de vontade de entrar com medo de morrer caso entrasse. Por um lado pensava que, se as pessoas que estavam dentro de água conseguiam lá estar porque não haveria eu de conseguir também? És um homem ou és um rato? Pensava eu de mim para mim. Mas por outro lado, uma outra voz, talvez a consciência, talvez o medo, não sei ao certo, me dizia: “Não entres pah! Se levas com uma morra dessas na cabeça, ficas aí esticado que até te lixas!” No meio de todo este conflito interno acabei por tomar a decisão de ir surfar para o Cabedelo, situado do outro lado do rio e que é uma onda bem mais acessível.
Assim, retornei ao carro, ainda passei pelo grande bodyboarder Nuno “Martelo” que conduzia a sua moto rumo às proximidades da praia e segui o mau caminho rumo ao carro para vestir o meu fatinho e pegar no material, com o intuito de atravessar o rio. E assim foi!
Chegado à margem do rio Mondego, atirei uma cavaca de madeira para a água, para ver o sentido da corrente, que se encontrava para Oeste. Perante tal evidência, fiz o que devia fazer, ou seja, dei o devido desconto, não fosse parar ao meio do oceano Atlântico. Antes de me mandar, confirmei se não vinha algum barco, vi que não e mandei-me ao rio, chegando à outra margem passados cerca de 5 minutos. Chegado lá, subi as rochas cautelosamente, uma vez que muitas delas se encontravam cheias de algas e, por isso, altamente escorregadias e, pouco depois, estava no Cabedelinho, que atravessei o mais rapidamente que pude, rumo ao Cabedelo.
Chegado ao Cabedelo, verifiquei que havia na água alguns surfistas e que as ondas estavam acessíveis. Desci as rochas e atirei-me à água. Para a zona onde remei, encontrava-se uma surfista, que me disse Olá e a quem retribuí o cumprimento! Não estando a partir ondas nesta zona, resolvi remar mais para o Inside (zona mais próxima da areia, por oposição ao Outside, zona mais longe da areia). Chegado ao Inside, as ondas começaram a aparecer, do meu ponto de vista, claro, porque estas já lá estavam antes de eu poder aperceber-me disso! Aí, sim , pude fazer as minhas ondas, esquerdas e direitas, rollos e 360, sempre a dropar, sempre a fluir. Um pouco mais tarde, porém, comecei a remar mais para sul, em busca de ondas que partissem para a esquerda, as minhas favoritas. E por aí fiquei durante o tempo suficiente, curtindo até ficar satisfeito. Satisfeita a minha fome de ondas, decidi ser altura de voltar, descalcei os pés de pato, descalcei as meias de neoprene e andei a mandar os meus mergulhos malucos e à deriva, após os quais fui andando calmamente pela praia, observando com deleite todos os biquínis da nova moda, andando, caminhando pela estrada paralela às Escola de Surf, passando pelo emblemático snack bar “Bússola”, local, onde, por muitas vezes, no passado, matei a minha fome após as surfadas criadoras de uma fome voraz, continuando a caminhar até à margem do rio onde, uma vez mais, atirei uma cavaca de madeira, ou melhor, uma cana de madeira e desta vez a corrente estava direccionada para Leste, por isso, tive de dar o desconto ao contrário, desci as rochas, deixei passar um gigante barco e atirei-me à água, aproveitando as ondas produzidas pela sua deslocação e remei o mais rapidamente que me foi possível, rumo à outra margem, assustando-me ainda um pouco com uma pequena embarcação que vinha na minha direcção. Logo aí, me sentei na prancha e acenei para que me vissem e se desviassem, mas pareciam continuar a vir na minha direcção o que levantou no meu coração um momento de mau agoiro que, felizmente, não se concretizou, ufa! Continuei a minha remada que terminou pouco tempo depois na outra margem. Subi as rochas e caminhei com deleite e boa disposição, presente no momento, num estado de consciência Zen, observando a realidade envolvente, o rio, o mar, o farol, os pescadores, o Forte de Santa Catarina e pouco depois encontrava-me ao pé do carro, eram 13:40, uma boa hora para ir almoçar. Sequei, vesti, pus um CD de Bob Marley, Songs of Freedom CD2 aleatório e rumei a casa num estado interior de enorme paz, relaxamento e satisfação que é aquilo que eu quero sentir numa base regular!
Bem, por hoje é tudo, até breve, meu caro amigo ou amiga!