sexta-feira, 20 de maio de 2011

“Uma surfada não tão revigorante mas, ainda assim, suficientemente revigorante!”


Olá meu caro leitor ou leitora, espero que esteja tudo fixe por aí!

O motivo que me traz aqui hoje, tal como sempre neste blog dedicado às surfadas, é falar sobre a última surfada que, diga-se, não foi grande coisa.

Eram 11:00 quando estacionava o meu carro no parque das gaivotas. Saí do carro e fui ver The Edge, já na suspeita de que estivesse hardcore. Na minha caminhada ao longo do molhe, na tentativa de encontrar uma rocha adequada para poder fazer a minha observação do mar, encontrei o grande bodyboarder figueirense Fábio “Marreta”, que, além de ter constatado que não me via há imenso tempo, me alertou para a eventualidade de o vento aumentar sendo por isso aconselhável que entrasse o mais rapidamente possível para poder aproveitar ondas de qualidade enquanto pudesse. Assenti, despedi-me e continuei o meu caminho até encontrar um tetrápode adequado onde me encostar e ficar a ver.

Abancado, fiquei a ver o mar, bem como o desempenho dos praticantes que se encontravam dentro de água. A maioria das ondas fechavam e eram bem cavadas e grandes. Os bodyboarders que, após apanharem a sua onda, retornavam ao pico, eram invariavelmente confrontados com uma forte porrada produzida pelas espumas provenientes do ribombar das fortes e violentas ondas que partiam. Muitos praticantes que apanhavam as suas ondas mandavam grandes baldos e levavam fortes caldos. Confesso que senti um misto de vontade de entrar com medo de morrer caso entrasse. Por um lado pensava que, se as pessoas que estavam dentro de água conseguiam lá estar porque não haveria eu de conseguir também? És um homem ou és um rato? Pensava eu de mim para mim. Mas por outro lado, uma outra voz, talvez a consciência, talvez o medo, não sei ao certo, me dizia: “Não entres pah! Se levas com uma morra dessas na cabeça, ficas aí esticado que até te lixas!” No meio de todo este conflito interno acabei por tomar a decisão de ir surfar para o Cabedelo, situado do outro lado do rio e que é uma onda bem mais acessível.

Assim, retornei ao carro, ainda passei pelo grande bodyboarder Nuno “Martelo” que conduzia a sua moto rumo às proximidades da praia e segui o mau caminho rumo ao carro para vestir o meu fatinho e pegar no material, com o intuito de atravessar o rio. E assim foi!

Chegado à margem do rio Mondego, atirei uma cavaca de madeira para a água, para ver o sentido da corrente, que se encontrava para Oeste. Perante tal evidência, fiz o que devia fazer, ou seja, dei o devido desconto, não fosse parar ao meio do oceano Atlântico. Antes de me mandar, confirmei se não vinha algum barco, vi que não e mandei-me ao rio, chegando à outra margem passados cerca de 5 minutos. Chegado lá, subi as rochas cautelosamente, uma vez que muitas delas se encontravam cheias de algas e, por isso, altamente escorregadias e, pouco depois, estava no Cabedelinho, que atravessei o mais rapidamente que pude, rumo ao Cabedelo.

Chegado ao Cabedelo, verifiquei que havia na água alguns surfistas e que as ondas estavam acessíveis. Desci as rochas e atirei-me à água. Para a zona onde remei, encontrava-se uma surfista, que me disse Olá e a quem retribuí o cumprimento! Não estando a partir ondas nesta zona, resolvi remar mais para o Inside (zona mais próxima da areia, por oposição ao Outside, zona mais longe da areia). Chegado ao Inside, as ondas começaram a aparecer, do meu ponto de vista, claro, porque estas já lá estavam antes de eu poder aperceber-me disso! Aí, sim , pude fazer as minhas ondas, esquerdas e direitas, rollos e 360, sempre a dropar, sempre a fluir. Um pouco mais tarde, porém, comecei a remar mais para sul, em busca de ondas que partissem para a esquerda, as minhas favoritas. E por aí fiquei durante o tempo suficiente, curtindo até ficar satisfeito. Satisfeita a minha fome de ondas, decidi ser altura de voltar, descalcei os pés de pato, descalcei as meias de neoprene e andei a mandar os meus mergulhos malucos e à deriva, após os quais fui andando calmamente pela praia, observando com deleite todos os biquínis da nova moda, andando, caminhando pela estrada paralela às Escola de Surf, passando pelo emblemático snack bar “Bússola”, local, onde, por muitas vezes, no passado, matei a minha fome após as surfadas criadoras de uma fome voraz, continuando a caminhar até à margem do rio onde, uma vez mais, atirei uma cavaca de madeira, ou melhor, uma cana de madeira e desta vez a corrente estava direccionada para Leste, por isso, tive de dar o desconto ao contrário, desci as rochas, deixei passar um gigante barco e atirei-me à água, aproveitando as ondas produzidas pela sua deslocação e remei o mais rapidamente que me foi possível, rumo à outra margem, assustando-me ainda um pouco com uma pequena embarcação que vinha na minha direcção. Logo aí, me sentei na prancha e acenei para que me vissem e se desviassem, mas pareciam continuar a vir na minha direcção o que levantou no meu coração um momento de mau agoiro que, felizmente, não se concretizou, ufa! Continuei a minha remada que terminou pouco tempo depois na outra margem. Subi as rochas e caminhei com deleite e boa disposição, presente no momento, num estado de consciência Zen, observando a realidade envolvente, o rio, o mar, o farol, os pescadores, o Forte de Santa Catarina e pouco depois encontrava-me ao pé do carro, eram 13:40, uma boa hora para ir almoçar. Sequei, vesti, pus um CD de Bob Marley, Songs of Freedom CD2 aleatório e rumei a casa num estado interior de enorme paz, relaxamento e satisfação que é aquilo que eu quero sentir numa base regular!

Bem, por hoje é tudo, até breve, meu caro amigo ou amiga!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

“Uma revigorante surfada!”


Passou-se na tarde de ontem, mais precisamente, no final da tarde de ontém, talvez por volta das 19:00.

Eram cerca de 18:30 quando me encontrava em casa, tomado por sentimentos de algum vazio, tédio e amargura que ameaçavam tomar conta do meu íntimo. No entanto e, felizmente, possuo uma arma que por mais de uma década se tem revelado infalível no combate a tais estados negativos. E essa arma chama-se bodyboard ou, de uma forma mais extensiva, poderei dizer que se trata do contacto com o mar. É um contacto que me cura internamente, mais do que qualquer outra prática. É o abraço proveniente do manto azul da Mãe Natureza, capaz de curar qualquer ferida de natureza emocional.

Eram entre as 18:30 e as 19:00 quando estacionava o meu fiel Peugeot 106 no parque das gaivotas. Como sempre faço, decidi ir dar uma olhada no mar antes de equipar. Observei durante uns 10 minutos. Estava algum frio. Algumas ondas vinham mas nada de especial. Nessa altura pensei em retornar ao carro e realizar uma prática de meditação mas algo me fez mudar de ideias. Quando me aproximava da rede que delimita o parque de estacionamento, mais especificamente de um buraco nessa mesma rede, mudei de ideias. Sem mais indecisões, equipei-me, ou seja, vesti o fato, licra e colete de neoprene, com o cuidado de acomodar bem a chave do carro num bolsinho próprio que existe no interior do fato, peguei na prancha, nos pés de pato, nas meias de neoprene e no leash, fechei todas as portas e caminhei de forma lenta e tranquila rumo à praia.

Já na praia, realizei o meu aquecimento, através de corrida, alongamentos, entre outros procedimentos, enquanto observava o mar, que me parecia acessível e a melhorar de qualidade. Findo o aquecimento, entrei na água rumo ao pico, esquerda que parte mesmo no cabeço, ou seja, a partir do molhe. Pouco tempo depois, vejo que se encontrava um surfista dentro de água, que se encontrava um pouco mais do lado direito da praia e que me cumprimentou. Apesar de ter retribuído o cumprimento do indivíduo não me apercebi imediatamente de quem se tratava, uma vez que sofro de miopia. Apenas passado algum tempo percebi tratar-se do meu grande amigo Batata, facto que me encheu de alegria! Para mim, melhor do que surfar sozinho, só mesmo surfar com grandes amigos. Aqueles amigos da adolescência que partilharam connosco surfadas, conquistas amorosas, noites de curtição fantástica, as primeiras surftrips. São momentos fantásticos e que me remetem para esses longínquos tempos de vida totalmente livre e descomprometida.

A surfada em si foi fantástica! Ondas tubulares, embora muitas fechassem a meio, mas o que se surfava delas era maravilhoso. Entre o apanhar das ondas íamos conversando sobre a vida, sobre sonhos, sobre projectos, sobre o cumprimento de obrigações, sobre mulheres. O meu amigo viera de Moçambique fazia pouco tempo e com estimulantes histórias para contar acerca do clima quente, da água do mar a 27ºC, da magnífica e deslumbrante vista dos corais e diferentes espécies marinhas, bem como, do baixo custo de vida no que respeita a bens essenciais (um cacho com 10 bananas custa cerca de €0,05), o estilo de vida caótico e primitivo dos africanos, para além da existência de bons e bem pagos empregos, devido à necessidade do país de mão-de-obra qualificada, devido ao rápido desenvolvimento. Para além da possibilidade de acesso a um estilo de vida virgem e saudável!

Entretanto fomos fazendo as nossas ondas, suficientes para duas pessoas, suficientemente boas para serem desfrutadas, algumas maiores e mais cavadas, outras menores e não tão adrenérgicas, mas satisfatórias, no geral. Mesmo no final da tarde, perto das 21:00, fomos brindados com um magnífico pôr-do-sol, uma inefável esfera de coloração rosa-alaranjada, realizando o seu movimento descendente indicador de que, em breve, a luz disponível para surfar em segurança se esgotaria. Esta visão, acrescida ainda da boa temperatura da água (que se encontrava a cerca de 19ºC), veio a aumentar ainda mais o sentimento de gratidão no meu coração. Eram cerca de 21:15 quando, ambos, abandonámos a água rumo ao parque de estacionamento, combinando uma surfada no dia seguinte de manhã e que acabei por não cumprir devido a incapacidade de vencer a preguicite matinal. Mas não importa: fica para o final da tarde, altura do dia em que me encontro mais sóbrio, desperto e disponível para a maravilhosa mas, simultaneamente, exigente prática do Bodyboard.

Despeço-me com um forte, longo e caloroso abraço para ti. Fica bem e até breve!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Introdução ao Bodyboard!"


Olá meu caro leitor ou leitora, espero que te encontres muito bem de saúde, em paz, com relaxamento e felicidade interior, independente das circunstâncias externas!

O assunto que hoje aqui me traz, o Bodyboard, está, precisamente, relacionado com a prática do Bodyboard, um desporto que em princípio conheces e que consiste em usufruir da força e energia das ondas do mar para poder deslizar com o auxílio de uma prancha, ao longo da onda, que se for uma onda de qualidade, formará uma parede de água, ao longo da qual se deslizará, o que produz no praticante de Bodyboard um elevado deleite e prazer que rapidamente o torna adicto.

A prática do Bodyboard envolve, não somente, o deslizar nas ondas, as manobras que eventualmente se façam ao longo da parede (os rollos, os tubos, os 360’s, os aéreos, os ARS’s, etc) mas, também, o contacto com a fresca e salgada água oceânica, um elemento rico em vivacidade, proporcionador de momentos de elevada transcendência, capaz de nos oferecer estados interiores absolutamente inefáveis, relaxamento interno profundo, por vezes, êxtase, e sempre uma elevada frescura interna, que dura a prática inteira e também, uma elevada quantidade de horas após a mesma. Para alguém que, por ventura, tenha a desdita de ter de enfrentar diariamente circunstâncias de elevado stress, este tipo de prática tem o poder de levantar a moral de quem quer que seja, permitindo-lhe endireitar novamente os chacras.

Outra grande vantagem do Bodyboard é o seu baixo custo! Com cerca de €200 é possível adquirir todo o material necessário à prática, nas gamas baixas que se vendem na Decathlon e na Sportzone e que, embora não seja material topo de gama, é perfeitamente suficiente para praticar com conforto e segurança. Esse material consiste em fato de neoprene, licra, pés de pato, prancha, leash, meias de neoprene e chega. 

O fato de neoprene serve, obviamente, para proteger do frio, uma vez que a temperatuta média anual das nossas águas portuguesas é de cerca de 15ºC, o que não é lá muito quente. A licra é uma camisola de licra que permite evitar que a parte interna do fato arranhe o corpo. Os pés de pato são tipo umas barbatanas, mas mais pequenos e servem para se poder remar com mais velocidade, uma vez que a prancha de Bodyboard, ao contrário de uma de surf, oferece uma fortíssima resistência ao movimento na água; servem também para se poder fugir de correntes marítimas com facilidade, o que por vezes, é muito conveniente. A prancha, feita de um material espumoso, que pode ser polipropileno ou polietileno, serve, obviamente, para deslizar nas ondas e o tamanho dessa prancha não deverá ultrapassar o teu umbigo, para poder estar adequada ao teu tamanho; deves ter também em atenção a grossura da prancha, consoante as tuas proporções: se fores demasiado forte, convém que a tua prancha seja mais grossa e, pelo contrário, se fores mais franzino, convém-te uma prancha mais fina. O leash é uma espécie de cordinha enrolada em formato de fio telefónico e que tem a função de manter a prancha sempre próxima de ti, atada ao braço; já viste o quão trabalhoso seria, teres de ir à areia buscar a tua prancha, de cada vez que a perdesses? Quanto a ti não sei, mas, quanto a mim, parece-me altamente aborrecido! E, por fim, temos as meias de neoprene que permitem ajustar os pés aos pés de pato. Estes, por serem feitos de borracha são, por vezes, bastante desconfortáveis de usar, chegando mesmo a produzir feridas nos pés, bem difíceis de sarar (uma vez que não é isso que nos vai impedir de continuar a fazer Bodyboard). Com as meias, elimina-se quase por completo esse desconforto e quanto a feridas, elas nem sequer chegam a aparecer, o que é fantástico! 

Então, munidos do material, bora até à praia, que convém seja uma praia onde as ondas estejam ao nível das nossas capacidades. Embora acabe sempre por surgir um dia em que nos aventuramos um bocado mais, em que decidimos ir à raiz dos nossos limites (por isso se chama de desporto radical, porque nos leva a ir às nossas raízes e superar os nossos limites), é sempre bom assumir riscos calculados, isto é, nada de entrar no mar à parva! Se olhas de fora e te parece perigoso, deves ter isso em conta. É bom que fiques a observar o mar durante tempo suficiente para poderes perceber se é ou não uma boa ideia entrar. Claro que terás sempre pessoas a picarem-te, a dizer que és um mariquinhas por não entrar, a dizerem que te estás a cortar. No entanto, a tua integridade física é muito mais importante do que aquilo que os outros possam dizer. Se todo o teu sistema interno de alarme te diz para não entrares, não entres! Se possível, procura outra praia nas redondezas que seja mais acessível, ou então, fica a ver, ou vai mandar uns mergulhos ou vai ver uns rabos de biquiní mas não arrisques desnecessariamente a tua vida. Melhores oportunidades virão!

Um grande abraço e óptimas ondas!